Psicologia Esportiva – Dr Hélio Carvalho, comenta sobre saúde mental e decisões de atletas.

Publicado por AdrenaNews 0

Nesta segunda-feira o tricampeão mundial de surf Gabriel Medina surpreendeu o mundo do surf informando por suas redes sócias que não vai participar das duas primeiras etapas do circuito mundial de 2022 da WSL no Hawaii. Na modalidade Park do STU National, Pedro Barros, também decidiu não competir. O psiquiatra e psicanalista, especializado em psicoterapia esportiva, Dr. Hélio Carvalho, comenta com muita propriedade sobre estas decisões dos atletas e sobre saúde mental.

Gabriel Medina em ação. Foto: Divulgação

Vejam abaixo o comunicado do atleta:

“2021 foi um ano incrível pra mim, conquistei meu maior sonho como surfista que era me tornar tricampeão mundial. Era uma parada intocável pra mim. No ano passado, vivi uma montanha russa de emoções dentro e fora da água, o que afetou muito minha saúde mental e física. Ao final da temporada, eu estava completamente esgotado. Cheguei no meu limite. Tomei minha vacina durante as férias e achei que ia conseguir me preparar a tempo para a primeira etapa da nova temporada, que começa em um dos meus picos favoritos no mundo, Pipe. Não foi o caso. Decidi que não viajarei para o Hawaii e vou tirar um tempo para que eu possa me recuperar mental e fisicamente. Estou com uma leve lesão no quadril que venho tratando desde o final do ano passado”, comentou Gabriel Medina

Gabriel Medina em ação. Foto: Pedro Caetano

“Somado ao corpo, tenho questões emocionais que estou precisando lidar. Venho de meses muito desgastantes. Reconhecer e admitir para mim mesmo que não estou bem vem sendo um processo muito difícil, e optar por tirar um tempo para me cuidar foi talvez a decisão mais difícil que já tomei em toda a minha vida. Me questionei muito nos últimos tempos se deveria tornar isso público ou manter de forma privada, mas é justo que todos vocês que sempre torceram por mim saibam do momento que estou enfrentando. A saúde mental é muito importante. Preciso estar 100% mentalmente para voltar a competir. Voltarei mais forte, amo vocês e obrigado por tudo”, concluiu Gabriel Medina

Uma ausência de última hora na modalidade Park da etapa de Criciúma (SC) do STU National, que terminou no último domingo,  foi de Pedro Barros, justamente um dos principais nomes do skate nacional e mundial, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, ficou de fora do primeiro torneio da temporada. Ele alegou que, devido a um exaustivo ano de 2021, não está com 100% da sua capacidade física e mental e precisa respeitar o corpo.

Pedro Barros em ação. Foto: Júlio Detefon

“Resolvi ouvir minha intuição e achei por bem não disputar essa etapa. Não somos uma máquina, todos nós temos o nosso limite. Tive um ano de 2021 muito pesado, com Olimpíada, disputa de outros campeonatos, tive influenza, bati com a cabeça no Oi STU Open Rio, fui parar no hospital… Foi tudo muito corrido, muito intenso. Já tenho 26 anos, desde os 4 ando de skate, como profissional já são mais de 10 anos, e é uma longevidade muito grande. Essa é a mensagem que fica, de respeitarmos o nosso corpo”, explicou Pedro Barros.

O psiquiatra e psicanalista, especializado em psicoterapia esportiva Dr. Hélio Carvalho, que trabalha com atletas de ponta como os surfistas Carlos Burle, Pedro Muller, João Chinca, o skatista, João Suisso entre outros, praticante das modalidades: Surf, skate, capoeira e jui-jitsu, comenta abaixo com muita propriedade sobre esta decisão do atleta e sobre saúde mental.

João Chinca e Hélio Carvalho. Foto: Antonio Carvalho

“Nosso herói do surf aponta que sua saúde física e mental chegou ao limite. Um dos maiores fenômenos do surf Brasileiro e mundial se afasta do tour para se cuidar mentalmente. Ele mesmo, Gabriel Medina um dos competidores mais temido pela sua técnica e força mental, sinalizou que precisa de ajuda. Essas atitudes vem sendo tomadas por atletas de várias modalidades a algum tempo, hoje o esporte de alta performance não necessariamente é algo saudável que respeita o desenvolvimento natural infantil e adolescente. Existem cobranças físicas, mentais e financeiras, essa última em alguns casos até da família que sonha com uma “vida melhor” através dos filhos impondo mais responsabilidade para essas crianças e acabam extrapolando a fase do desenvolvimento psicológico e físico”.

Gabriel Medina. Foto: Pat Nolan – WSL

“É difícil para o público entender que seus heróis tenham ansiedade, burnout ou depressão , por isso acabam sendo julgados e posto até como vilões. Pressões exercidas sobre as crianças tem se tornado muito parecida com as do adulto , mas vale lembrar que eles não são “mini-adultos” são crianças. Alguns pais e treinadores pulam a ideia inicial de qualquer desenvolvimento humano, o trabalho lúdico , onde a criança experimenta sensações emocionas até a coisa se tornar “real”. Gabriel Medina vem se mostrando forte ou realmente sendo há anos, passou por um ano difícil em todos as áreas de sua vida , mas ainda sim se tornou tricampeão mundial de surf e agora precisou reavaliar sua vida e suas emoções, não estou próximo , nem sei exatamente o que está acontecendo com nosso tricampeão , mas certo estou de que nossa saúde emocional é um bem tão valioso que não podemos descuidar dela”. “Força Medina, espero que tudo se equilibre e que você volte a brilhar como sempre fez, mas agora emocionante e fisicamente em total harmonia”. Comentou Dr Helio em sua página no stagram

“Desde 2003 quando iniciei com a primeira oportunidade de trabalhar com psicologia esportiva no Fluminense Football Club, venho trabalhando com atletas de várias modalidades esportivas com experiências clínicas em meu consultório, desde então não via tanta atenção voltada à saúde mental, tanto dos atletas quanto das pessoas em geral buscando tratar suas desordens psíquicas, acho que a pandemia trouxe a todos nós uma reflexão sobre a importância de estar bem psicologicamente, e me surpreendeu de forma positiva os atletas falarem desse assunto que por anos sofreu preconceito por acharem que estar em terapia seria uma questão de não estar “louco” ou por ser uma pessoa fraca”.

Rebeca Andrade em ação. Foto: Divulgação – CBG

“A multi campeã Simone Biles nos trouxe o quanto um atleta sofre em sua preparação para as competições se deixar o ser humano de lado, tenho ouvido pessoas falarem o que se passou com esta atleta, com lives, analisando o caso como se pudéssemos fazer isso sem estar próximo da atleta ou de qualquer outro que passe por esse momento. Simone Biles já relatou que sofre de TDAH uma desordem que afeta o indivíduo de várias formas uma delas é a dificuldade de lidar com sua própria confiança, aprendi que dar meta a uma pessoa e frases prontas ajudam mas não se sustentam, todos nós trazemos um histórico de vida e vivencias ambientais que constroem nossa personalidade, que se deflagra ou não em sintomas comportamentais que impedem que essa meta seja cumprida ou não, e aí está o problema, se não houver um acompanhamento profissional, o atleta acaba se frustrando com maior facilidade, no caso da Simone, talvez só o seu psicólogo(a) e ela mesma saibam a verdadeira razão para tal comportamento, mas o fato é que somos humanos não máquinas e isso está cada vez mais claro nesses jogos olímpicos, atletas com índices que em outros jogos não passariam das semifinais de determinadas categorias estão ganhando medalhas de ouro em suas apresentações. E o maior exemplo de uma mente forte é a nossa medalhista Rebeca Andrade, que deixou claro o quanto sua parte mental estava treinada, e o quanto a sua confiança e estima estavam altas”.

Dr. Hélio Carvalho – Psiquiatria Nutricional
Pós Graduado em Psiquiatria e Psicanalista: Mindfulness e Psicologia Esportiva
Contato: (55)(21) 998695826

Reportagem: Edson “Adrena” Andrade

Edição Textos e Imagens: Edson “Adrena” Andrade

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