Os Primeiros Raios da Tempestade – Com Bruno Bocayuva e Victor Ribas, neste sábado no Instagram – Vejam o Vídeo

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O jornalista e apresentador de programas, Bruno Bocayuva, neste sábado as 18:30 em seu programa live no Instagram “Os primeiros Raios da Tempestade”, terá como o entrevistado da vez, Victor Ribas.

Victor Ribas em ação. Foto: Barbara Becker

Em sua extensa carreira, Victor Ribas colecionou alguns feitos significativos: melhor colocação de um representante nacional no WCT (3º em 1999); segundo brasileiro com maior número de temporadas na elite (13, uma a menos que Peterson Rosa); quatro vezes top 16.

Assim como Fábio Gouveia, Peterson Rosa, Neco Padaratz e Adriano de Souza, Vitinho disputou três finais no WCT e venceu uma, no Gotcha Lacanau Pro, na França em 1995 derrotando na grande final o norte-americano, Todd Holland. O melhor brasileiro na história da elite do surf mundial merece biografia, documentário, patrocínio vitalício. E não falo de homenagens em forma de estátua – como a que foi erguida em sua cidade natal, Cabo Frio – sem querer desmerecê-la.

Monumentos em bronze são frios, duros. Caem bem como tributo. E Vitinho está entre nós, vivo, dividindo o line-up com garotos que o sucederam na missão de defender o Brasil. Não está mais no Circuito Mundial, mas, antes de sair, abriu as portas e mostrou o melhor jeito de entrar.

Estátua na praia do forte de bronze em tamanho natural de Vitor Ribas. Foto: Flavio Veloso

No momento em que o Brasil disputa os primeiros postos do Circuito Mundial, por mais tempo, pode aproveitar para também rever o modo como sempre tratou seus ídolos. A maturidade impõe algumas obrigações: uma delas é a memória.

Victor Ribas chegou ao posto de terceiro do mundo em 1999 da maneira mais inesperada que um surfista pode imaginar. O brasileiro só passou do round 3 a partir da quinta etapa do ano. O segundo semestre foi mágico: vice em Fiji, terceiro em Huntington e na Barra, quinto no Japão, em Lacanau, em Hossegor e em Pipeline, e nono em Mundaka.

Se passasse mais uma bateria, teria sido vice-campeão do mundo, atrás apenas de Occy. Se mantivesse a performance do segundo semestre durante o ano todo, teria sido campeão. Vitinho surfou 13 temporadas na elite, das quais quatro figurou entre os top 16 do mundo. Em 1995, terminou o ano no sexto posto, colocação pouco lembrada, mas que só dois brasileiros até hoje superaram – Fábio Gouveia e Adriano de Souza.

Em 1995, para alcançar o sexto posto, obteve sua sonhada vitória na elite – em Lacanau, disputando final contra Todd Holland. Chegou, ainda, à semifinal em Biarritz, às quartas na Barra e às oitavas em Bells, Marui e G-land.
Dez anos depois, aos 34 anos, faria a última final na elite. Em bateria de resultado contestado, perdeu para Damien Hobgood em Imbituba, num ano em que a final foi esquecida para a comemoração de mais um título mundial de Kelly Slater.

O resultado de Imbituba foi obtido 17 anos depois do primeiro pódio da carreira na elite da ASP. Ele ainda era um amador de 16 anos quando ficou em terceiro no Mundial da Barra. Durante a carreira, também andou dentro dos tubos. Estão no currículo do surfista de Cabo Frio, além do quinto em Pipe e do nono em G-land, um fantástico vice em Tavarua e uma vitória no WQS de Fernando de Noronha.

Com o histórico de serviços prestados ao surf brasileiro, Vitinho não precisaria mais competir para ser bancado vitaliciamente por um patrocinador. Mas seu espírito é afeito a baterias e, enquanto, estiver em forma, vai estar de lycra, surfando contra o tempo e a sirene. Victor Ribas merece mais que a nossa estátua; merece a reverência dos surfistas brasileiros.

Sempre aos Sábados as 18:30, o programa visa debater o processo evolutivo dos surfistas brasileiros no Circuito Mundial desde 1976 da época das extintas IPS e ASP e que atualmente os brasileiros dominam o Circuito Mundial da WSL

Victor Ribas junto com Ricardo Bocão e Peterson Rosa. Foto: Paul Cohen

VEJAM O VÍDEO ABAIXO:

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A tempestade brasileira chegou com tudo no circuito mundial, nunca na história da ASP os brasileiros tinham conquistado tantas vitórias em provas do WQS e WCT. Depois das belíssimas performances de Gabriel Medina, Adriano de Souza, Miguel Pupo, Alejo Muniz, entre tantos outros, o surfe brasileiro passou a ser mais respeitado internacionalmente, mas é sempre bom lembrar que as mulheres também fazem parte dessa história. A catarinense Jacqueline Silva e a cearense Silvana Lima foram as brasileiras que chegaram mais perto do título mundial. Entre os homem quem ainda detém o melhor recorde, é o cabofriense Vitor Ribas, que finalizou a temporada de 1999, na terceira colocação.

O retrospecto de Victor Ribas na Extinta ASP:

Uma vitória no tour mundial/WCT
1995 – Gotcha Lacanau Pro, França (derrotou Todd Holland)

Dois vice-campeonatos
1999 – Quiksilver, Tavarua (perdeu para Mark Occhilupo)
2005 – Nova Schin, Imbituba (perdeu para Damien Hobgood)

Pelo WQS, circuito do qual foi campeão em 1997 e vice em 1998, Victor é um dos seis brasileiros com maior número de vitórias: seis, entre 1994 e 2002.

1994 – Nescau Surf Energy, Guarujá (SP)
1994 – Limão Brahma Pro, Rio de Janeiro
1995 – 7UP Pro Cup – Punta Rocas/Peru
1997 – Hang Loose – Saquarema (RJ)
1998 – Reef Brazil – Mar del Plata/Argentina
2002 – Hang Loose, Fernando de Noronha (PE)

No cenário nacional, ele foi campeão brasileiro em 1997, quando o ranking era definido pelas etapas brasileiras do Qualifying; depois, em 2003, venceu uma etapa do SuperSurf  em Itacaré (BA) , derrotando o paulista, Tadeu Pereira

As quatro aparições entre os top 16 é um recorde que compartilha com Fábio Gouveia (Victor foi duas vezes top 10). Pelos dados da ASP, Victor começou a competir no circuito mundial um ano antes de Gouveia e Teco, que estrearam em 1988.

Pré-WCT:

1987 – 240º | disputou 3 das 21 etapas
1988 – 78º | disputou 7 das 24 etapas
1989 – 95º | disputou 7 das 25 etapas
1990 – 56º | disputou 17 das 21 etapas
1991 – 49º | disputou todas as 17 etapas

WCT:

1994 – 15º | disputou todas as 10 etapas
1995 – 6º | disputou todas as 10 etapas
1996 – 18º | disputou todas as 14 etapas
1997 – 25º | disputou todas as 12 etapas
1998 – 37º | disputou todas as 11 etapas
1999 – 3º | disputou todas as 13 etapas
2000 – 32º | disputou todas as 13 etapas
2002 – 45º | disputou todas as 12 etapas
2003 – 22º | disputou todas as 12 etapas
2004 – 32º | disputou todas as 11 etapas
2005 – 15º | disputou todas as 11 etapas
2006 – 29º | disputou todas as 11 etapas
2007 – 40º | disputou todas as 10 etapas

Retrospecto:

De 1987  à 1989,  Ainda como amador, estreou no tour mundial em 1987 e nos dois anos seguintes competiu em quase um terço das etapas. Em 1988, fez sua primeira semifinal, na Barra da Tijuca; e chegou ao evento principal também na Joaquina. Em 1989, varou as triagens em três eventos: Durban, Barra da Tijuca (em ambos foi ao round 2) e Joaquina (round 1).

Em 1990,  em seu primeiro ano como profissional, passou pelas triagens em quatro eventos: Hossegor, Guarujá (em ambos foi ao round 2), Zarautz e Sunset (round 1).

Em 1991, em seu segundo ano como pro, continuou em ascensão: foi às quartas em Huntington Beach, às oitavas em Saint Leu e na Barra da Tijuca, e também varou as triagens em Lacanau (round 2) e no Guarujá (round 1).

Em 1992 e 1993,  ficou afastado das competições por quatro meses após fraturar o pé. Pelo WQS, terminou em 48º em 1992; no ano seguiu entrou para a elite ao terminar em 26º.

Em 1994, logo em sua estréia no WCT chegou aos top 16, graças a uma semifinal na Barra da Tijuca, as quartas em Lacanau e Biarritz, e as oitavas em Narrabeen. Também venceu duas etapas do WQS (suas primeiras conquistas no Qualifying), ambas no Brasil.

Já em 1995, em seu segundo ano na elite, foi novamente top 16 – ficou de fora dos top 5 por uma posição apenas. Conquistou uma vitória em Lacanau, foi à semi em Biarritz, às quartas na Barra da Tijuca, e às oitavas em Bells, Marui e Gland. Também conquistou uma vitória pelo WQS em Punta Rocas (sua primeira no exterior).

Em 1996, saiu dos top 16 (por apenas duas posições) após dois anos seguidos. Foi às quartas em Huntington e Hossegor, e às oitavas no Marui, G-land, J-Bay e Barra da Tijuca.

Em 1997, continuou descendo no ranking, mas manteve-se na elite pelo próprio WCT, pelo quarto ano seguido. Foi às quartas na Barra da Tijuca e às oitavas em Narrabeen, Kirra e Hossegor. E conquistou dois títulos: do WQS (repetindo feito de Flávio Padaratz) e brasileiro. Venceu uma etapa do Qualifying em Saquarema, sua quarta conquista na segunda divisão.

Em 1998, teve uma queda acentuada de rendimento na elite – não passou do round 3 em nenhuma das onze etapas, mas manteve-se pelo WQS, do qual foi vice-campeão. Venceu uma etapa na Argentina, sua segunda conquista pelo Qualifying no exterior.

Em 1999, voltou a bilhar alcançando a melhor colocação de um brasileiro na história do tour: 3º lugar. O incrível é que ele só passou do round 3 a partir da quinta etapa, mas o segundo semestre foi caprichado: foi vice-campeão em Fiji, à semi em Huntington e na Barra da Tijuca, às quartas no Japão, em Lacanau, em Hossegor e Pipeline, e às oitavas em Mundaka.

Em 2000, ano seguinte ao seu ápice em termos de resultados, saiu da elite: pelo WCT, seus melhores resultados foram as oitavas em Gold Coast, Fiji e Lacanau; e no WQS terminou em 20º.

Em 2001, bastou um ano no WQS para voltar à elite – terminou em 12º. Competiu como convidado na etapa brasileira do WCT e perdeu no round 3.

Em 2002,  no retorno à elite foi às oitavas em Teahupoo, porém uma longa sequência de derrotas na repescagem o deixou na incômoda última colocação. Manteve-se entre os top 45 com um 9º no WQS – circuito no qual alcançou sua conquista internacional mais recente, ao vencer a etapa de Fernando de Noronha.

Em 2003, na sua nona temporada na divisão principal, voltou ao pódio com uma semifinal em Trestles; com as oitavas em Mundaka e em Pipeline (em baterias de quatro), manteve-se na elite pelo próprio WCT.

Em 2004, foi às quartas na Gold Coast e em Hossegor, e às oitavas em Fiji; quase saiu da elite – ficou como primeiro alternate para o ano seguinte – porém eventualmente competiu em todas as etapas.

Em 2005, terminou entre os top 16 pela quarta vez na carreira, onze anos após a primeira. Como em temporadas anteriores, não passou do round 3 no primeiro semestre, mas depois foi vice-campeão em Imbituba, à semi em Hossegor, e às oitavas em Trestles e Pipeline (em baterias de quatro).

Em 2006, foi às quartas em Trestles e às oitavas em Mundaka, terminando pouco abaixo da zona de corte no WCT. Mas manteve-se na elite pelo WQS, no qual terminou em 13º. E em 2007, no seu último ano na elite, passou do round 3 apenas uma vez – fez as oitavas em Mundaka.

Um detalhe curioso sobre Victor Ribas é que em todas as temporadas em que competiu entre 1991 e 2007, ele nunca faltou a uma etapa sequer. Pelas contas do Datasurfe, ele disputou 202 eventos de primeira divisão da ASP, desde 1987. E disputou nove semifinais, incluindo as três que venceu.

Etapa do estadual de surfe em Ponta Negra – Foto: Elsson Campos

HISTORIA: Devemos muito aos nossos primeiros campeões que foram os desbravadores. Iniciando com Pepê Lopes que tornou-se o primeiro surfista brasileiro a vencer uma etapa do circuito mundial válido pela IPS (International of Professionals Surfers), o saudoso Waimea 5000, realizado no Arpoador em 1976 terminando entre os 18 melhores surfistas do mundo em 1976. Ele também foi sexto colocado no Pipe Masters do Havaí (o melhor brasileiro do ranking antes de Gabriel Medina). Pepê se sobressaia nas ondas grandes e tinha ótima colocação nos tubos em Pipeline.

Como não temos mais entre nós o nosso saudoso Pepê, o primeiro entrevistado do programa foi Daniel Friedmann, Campeão do Waimea 5000, realizado no Quebra Mar em 1977, vencendo justamente Pepê Lopes em uma final brazuca empolgante. Depois foi a vez de Fábio “Fia” Gouveia, um dos surfistas mais bem sucedidos do Brasil, de sua geração, campeão mundial amador em 1988, pela ISA, terminando na 5º posição em 1992 no Circuito Mundial (WCT) da extinta ASP. Sendo um dos responsáveis pela valorização do surf no Brasil e pelo reconhecimento internacional do surf brasileiro junto com Flavio “Teco” Pararatz que também já foi o entrevistado.

Teco Pararatz, entre as principais conquistas estão o 1º lugar no Alternativa Surf Masters na Barra (RJ) em 1991, o 1º Lugar em Hossegor Pro na França em 1994, naquela final inesquecível contra o Kelly Slater. No último Sábado foi a vez de Ricardo Tatuí, surfista profissional e competidor da extinta ASP, que começou a correr o Circuito Mundial em 1993, e que em 1994 na Etapa da França em Biarritz, o Quiksilver Surfmasters, Ricardo Tatuí, derrotou na grande final o Norte-americano, Jeff Booth. No próximo Sábado será a Neco Padaratz.

Fontes: Gustavo Cabral – Datasurfe e Tulio Brandão

Reportagem e Edição: Edson “Adrena” Andrade

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