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Handsurf de Alagoas, a radicalidade do surf na mão – Vejam os Vídeos.

Publicado por AdrenaNews 601 views0

Em meados de 1985 surgia um esporte único no mundo. E ele foi concebido exatamente em um ponto geográfico do Brasil: na praia do rainha, na cidade de Maceió, a capital do estado de Alagoas.

Sivory Farias em ação. Foto: Divulgação

Sabe qual esporte é esse? O handsurf de Alagoas. Sim, o surf que era comum e restrito a prática apenas com uma prancha para se ficar de pé viu o handsurf mudar esse cenário. Um pequeno grupo de entusiastas tiveram a ideia de pegar ondas utilizando uma prancha na mão.

Mas bem antes de chegar nesse ponto, a turma gostava de ir para a praia para jogar bola e pegar o famoso “jacaré”, um termo corriqueiro para o bodysurf ou surf de peito. Depois de fazerem uma prancha de mão com acrílico encontrado no lixo e testarem nas ondas de Maceió, um dos integrantes da turma levou uma prancha velha e quebrada para um shaper ver se conseguia fazer uma prancha de mão. Ricardo Márcio, mais conhecido como Índio, foi quem teve a ideia de projetar a prancha de mão e para isso contou com o suporte do shaper Marcos “Sapo” proprietário da então oficina Tubão.

E não deu outra. Ao chegar na praia com uma prancha diferenciada, a qual é conhecida até hoje como “palmar”, Índio contagiou a turma da praia e logo estavam todos na água desfrutando as ondas e praticando o handsurf. E o que é o tal do handsurf de Alagoas? Uma modalidade que visa executar as manobras do surf, do bodyboard e do bodysurf utilizando nadadeiras e o palmar em uma das mãos.

Palmar atual confeccionado pelo shaper Agildo Pontes “Neno” da Surfciente. Foto: Divulgação

Se você está se perguntando se é possível mesmo realizar tal feito, pode ter certeza que a resposta é uma só: sim! Os handsurfers conseguem fazer desde uma batida a um aéreo, de um cutback a um el rollo, de uma rasgada a um floater. Como qualquer coisa na vida, a prática é o caminho para performar em tal nível.

E sem dúvidas conhecer a prancha é essencial. Assim como no surf ou qualquer outra modalidade esportiva, quanto maior a intimidade que o indivíduo tiver com o seu equipamento melhor será para ele. Portanto, parte da performance que um atleta será capaz de apresentar, seja numa competição ou fora dela, se deve ao trabalho do shaper. Claro que um palmar “mágico” não irá fazer milagres, mas certamente se estiver em uma mão talentosa pode ter certeza que coisas boas acontecerão a partir dele.

Palmar de fibra de carbono feito pelo shaper Edivaldo “Bay” Pereira. Foto: Divulgação

Mas o que os handsurfers não sabiam naquela época era se o que eles estavam fazendo era algo novo ou não uma vez que o acesso às informações não funcionava como hoje em dia. Pelo contrário, naquela época as revistas e algumas
fitas VHS eram uma das poucas formas de saber o que se passava no mundo do surf. Desse modo, o handsurf de Alagoas foi se desenvolvendo sem informação alguma do “mundo externo” e a turma se inspirava em surfistas que estavam em alta naquele tempo como Tom Curren, Tom Carroll, Martin Potter.

Foi assim que os sobrenomes desses atletas foram sendo carregados pelos praticantes do handsurf de Alagoas, como é o caso do tricampeão alagoano Leo Silva que passou a ser chamado de “Leo Curren” e assim é conhecido até hoje. Já  Alberto Mariano tornou se o “Bel Pottz” assim como Sivory Farias que também carrega “Pottz” consigo.

Alberto Mariano em ação. Foto: Divulgação

No entanto, voltando a questão se o esporte era algo exclusivo de Alagoas ou não, antes de ser tornar o handsurf de Alagoas, durante muitos anos foi chamado de bodysurf. Apenas em 1994, foi feito um contato através de cartas, com
a então ACSP (Associação Carioca de Surf de Peito) com a intenção de obter informações à respeito de suas competições, pois a ideia era enviar atletas de Alagoas para competir no Rio de Janeiro.

Contudo, a resposta foi que os alagoanos seriam muito bem-vindos, porém nas competições não seria permitido o uso de nenhum tipo de prancha nas mãos. Imediatamente Nedda de Luna, presidente da então AABS (Associação Alagoana de Bodysurf), convocou uma reunião onde após muita conversa chegou-se à conclusão de que era preciso mudar o nome do esporte pois o mesmo não era bodysurf. Foi aí que passou a ser chamado de handsurf.

Finalmente, uma geração toda foi responsável por esse esporte que viveu momentos de altos e baixos ao longo dos seus 35 anos de existência. Num dado período houve uma expansão de oficinas que fabricavam palmares, um boom nos eventos e no número de praticantes. E posteriormente uma queda nesse cenário por diversas razões, mas muitos continuaram a trabalhar em prol do esporte como é o caso de Agildo Pontes “Neno” e Edivaldo “Bay” Pereira.

Shaper Agildo Pontes em ação confeccionando um palmar. Foto: Divulgação

Este último por sinal inovou a forma de se fabricar palmar ao utilizar fibra de carbono. Como forma de manter o handsurf de Alagoas vivo, o Handsurf Clube que é constituído pelos pioneiros do esporte, convidou Letícia Parada do canal de bodysurf no YouTube Ela No Mar para conhecer a modalidade de perto. Muitas entrevistas e conteúdos foram gravados durante sua curta, porém árdua estadia em Maceió, sendo o primeiro deles já disponibilizado no canal.

Para entender melhor o porquê o handsurf de Alagoas é tão singular quando comparado ao handsurf tradicional, Leticia entrevistou o Neno, o shaper mais antigo em atividade do estado com experiência de 35 anos no ramo.

VEJAM OS VÍDEOS ABAIXO:

Neste primeiro episódio de muitos que serão divulgados no próximo mês, você poderá ver as características do palmar de Alagoas, as inspirações que levaram à sua criação e seu desenvolvimento. Portanto, vale a pena se inscrever no canal para acompanhar cada um dos detalhes desse esporte que é patrimônio brasileiro, criado em terras nordestinas e motivo de orgulho para o alagoanos.

O Ela No Mar é um canal exclusivo de bodysurf idealizado especialmente para pessoas que queiram surfar de peito a ONDA da VIDA. Aqui vamos compartilhar dicas, exercícios, entrevistas e experiências para você se INSPIRAR e MUDAR a sua conexão com a NATUREZA por meio do bodysurf.

Como pegar tubo no surfe de peito? O que fazer para conseguir completar um tubo surfando apenas com pé de pato? E se você estiver com uma handboard / handplane? Conheça as dicas que vão te ajudar tanto no bodysurf como no handsurf. Esse vídeo contém arquivos cedidos de por outros bodysurfers além de Leticia Parada: Kalani Lattanzi, Homem Peixe (Henrique Pistilli), Ben Oakleys, Ignacio Hernandez, Jake Rosenbrock, Kori Alpert e Mike Baker.

Mais informações:

https://www.instagram.com/paradaleticia/

https://www.youtube.com/c/ElaNoMar

Reportagem: Leticia Parada

Edição: Edson “Adrena” Andrade

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