Faleceu aos 86 anos o Pai do Bodyboard Moderno, Tom Morey.

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Pai do Bodyboard Moderno, Tom Morey, nascido no dia 15 de agosto de 1935, na cidade operária de Detroit, Estado de Michigan, infelizmente faleceu nesta ultima quinta-feira aos 86 anos.

Tom Morey, inventor do Boogie Board, e sua criação. Foto: Sam Gangwer – SCNG

Engenheiro, músico e surfista norte-americano, foi o responsável por muitas inovações tecnológicas de forte impacto no desenvolvimento de equipamentos de surfe moderno. Sua contribuição mais importante para o esporte foi a invenção da prancha moderna de bodyboarding.

Tom Morey, inventor do Boogie Board, e sua criação. Foto: Arquivo Pessoal

Logo cedo se mudou para Laguna, lado costeiro do Estado da Califórnia, cursou matemática e engenharia ao qual se dedicou ao invés de se aperfeiçoar, aos seus dotes musicais, aprendeu a surfar em pé e deitado. Aos 15 anos surfou sua primeira onda, e aos 18, era um praticante constante de longboard. Nas décadas de 50 e 60. Além das pautas musicais e concertos de jazz, já se dedicava também a produzir pranchas de surf. Ter trabalhado numa fábrica de aeronaves ajudou a experimentadora diversos materiais.

Em meados do anos 60, se mudou para o Havai, organizando o primeiro campeonato de surf com premiação de 1.500 dólares ao vencedor em 1965. Neste ano, fundou também a Morey Surfboards e fixou-se, de vez no arquipélago do Pacífico.

Em 7 de julho de 1971, Tom Morey saiu da garagem de sua casa e atravessou a rua para chegar à praia e atirar-se ao mar, com uma prancha feita de um material mais mole com dimensões mais pequenas, dos pés à cintura. Tom Morey inventara o bodyboard. E a segunda pessoa a surfar uma onda com prancha acabada de inventar foi a sua mulher, então grávida de oito meses.

“Em uma prancha de surf, não senti cada nuance das ondas, mas, com a minha criação, conseguia sentir algo muito maior. É duradoura, pode ser feita de forma barata, é leve, é segura. Meu Deus, isto pode mesmo ser algo muito grande!!!”, comentou, Tom

O primeiro nome técnico que deu à prancha foi SNAKE, abreviatura para “Side Navel Arm Knee and Elbow”, qualquer coisa como “Umbigo Braço Joelho e Cotovelo”. Comercialmente, seria um imbróglio enraizar o que fosse com este palavreado, por isso, Tom Morey inspirou-se na sua paixão pelo jazz com boogie, que era um estilo de blues. Então Morey-boogie que depois virou e o bodyboard.

No final da década de 70, a empresa produzia cerca de 80 mil pranchas ao ano, mas, em 1977, Morey vendeu-a. A modalidade explodiria nos anos 80 a partir do Havai, com praticantes que se atiravam-se em ondas cada vez mais pesadas e descolando delas manobras aéreas, desafiando a gravidade bem antes do surf tentar tais manobras.

O havaiano, Mike Stewart, foi o primeiro ícone, campeão da modalidade bodyboard, com nove títulos mundiais. O brasileiro, hexacampeão mundial, Guilherme Tamega foi outra lenda da modalidade.

Guilherme Tamega em ação. Foto: Brent Bielmann

A saúde de Tom Morey estava cada vez mais fragilizada nos últimos anos, em paralelo com a sua situação financeira. Em 2018, foi organizada uma angariação de fundos para o ajudar a pagar uma cirurgia nos olhos e dinheiro para as necessidades do dia a dia. O americano chegara aos 86 anos em agosto, no mesmo anoa mesma volta ao sol em que o bodyboard celebrava meio século de vida. A criação viverá para manter vivo o seu criador.

História:

Tom Morey, porém, não foi o responsável pela invenção da arte ou estilo de descer ondas deitado sobre uma pequena prancha. Existem relatos datados do século 19, mostrando polinésios surfando deitados e de “proto-dropknee”. Essas pequenas tábuas rudimentares (“alaias”, em polinésio) eram consideradas “pranchas do povo”, já que apenas à realeza era permitido surfar em pé (sobre pranchas maiores, chamadas de “olos”) – o que se conferia ao surfe em pé o status de “esporte dos reis”, por outro comprovaria que há mais de quinhentos anos o bodyboarding é a maneira mais comum de surfar as ondas.

Alaia board-surfer. Foto: Museu do Bodyboard

Quase dois séculos antes da invenção de Tom Morey, em 1778 o capitão James Cook, em sua chegada ao Havai, observou moradores da região pegando ondas em placas de madeira Koa, conhecidas como pranchas Alaia. Mas evidências apontam para a prática de “surfar deitado” desde o século XV na Polinésia.

Mais tarde, as pranchas Alaia evoluiram para o Paipo (pie-poh), pranchas feitas de madeira ou fibra de vidro. A história conta que mais tarde, alguns reis, para se diferenciar da plebe, começaram a construir pranchas maiores para andar de pé nas ondas. Os nativos em geral, por sua vez, continuaram a usar o Paipo para se divertirem.

De volta ao século XX, mais ainda antes de Morey, diversos tipos de “belly boards” (pranchas de barriga, literalmente) foram utilizados: as planondas de madeira (conhecidas no Hawaii por paipo boards), pranchas de isopor e colchões plásticos infláveis. Todavia, coube a Tom Morey o mérito de transformar uma brincadeira de praia em um esporte ultra-radical (bodyboarding) com centenas de milhares de praticantes por todo o mundo e uma indústria que movimenta milhares de dólares em equipamentos, campeonatos e mídias.

Reportagem: Edson “Adrena” Andrade

Edição: Edson “Adrena” Andrade

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